Irã está preparado para revidar qualquer ataque, diz embaixador do Brasil

 Irã está preparado para revidar qualquer ataque, diz embaixador do Brasil

O diplomata André Veras Guimarães foi informado que o país não deseja guerra, mas está preparado para retalhar. (Reprodução/CNN Brasil)

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, afirmou à CNN que o governo iraniano declarou estar preparado para revidar qualquer ataque militar estrangeiro, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e aos protestos antigoverno no país. Segundo o diplomata, essa posição foi reforçada em conversa com o ministro de Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.

Guimarães explicou que, embora as autoridades iranianas tenham insistido que não desejam guerra com nenhuma nação, o governo reafirmou que possui preparação militar e decisão de responder a qualquer agressão. “Eles disseram que não serão surpreendidos por nenhum ataque”, disse o embaixador.

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A declaração acontece em um contexto de tensão crescente entre o Irã e os Estados Unidos, após protestos internos que se estendem por semanas e que, segundo organizações de direitos humanos, deixaram centenas de mortos e milhares de detidos. Autoridades americanas têm considerado opções de resposta — incluindo medidas militares ou sanções adicionais — se as forças iranianas continuarem a reprimir manifestantes com violência letal.

Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista recente que o país está “pronto para qualquer ação” e que, caso os Estados Unidos “queiram testar uma ação militar”, Teerã pode responder com igual força. Araghchi destacou que o Irã está mais bem preparado para enfrentar uma eventual agressão agora do que em conflitos anteriores, e disse que Teerã permanece disposto a negociações diplomáticas caso Washington opte por uma “opção sensata”.

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A escalada ocorre em meio a reportagens de cortes de internet no Irã, relatos de confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, vídeos de corpos em locais públicos e acusações mútuas entre governos internacionais sobre a origem e os impactos dos protestos. As tensões também repercutiram em movimentos militares de outros países na região, como retirada de pessoal de bases no Golfo, à medida que aliados avaliam riscos de uma escalada mais ampla.

O contexto internacional reflete preocupações de que qualquer conflito direto entre EUA e Irã poderia desencadear uma crise ainda mais ampla no Oriente Médio, envolvendo diferentes atores regionais e alianças multilaterais.