Cerca de duas mil pessoas morreram em protestos no Irã, diz autoridade
Veículos em chamas durante protestos antigovernamentais no Irã no dia 8 de janeiro • WANA VIA REUTERS
Uma autoridade iraniana declarou que cerca de duas mil pessoas morreram durante os recentes protestos no Irã, incluindo membros das forças de segurança. A afirmação, feita nesta terça-feira (13) à agência Reuters, representa a primeira admissão pública de um número elevado de mortes após duas semanas de agitação em várias regiões do país.
Segundo a autoridade, os responsáveis pelas mortes seriam “terroristas”, expressão usada para se referir a indivíduos não identificados que, segundo o governo, teriam se infiltrado nas manifestações. Não foi apresentado detalhamento sobre quantos mortos seriam civis ou agentes de segurança.
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Os protestos foram motivados principalmente por condições econômicas deterioradas e se tornaram o maior desafio interno ao governo iraniano dos últimos anos. O cenário ocorre em meio a crescente pressão internacional e ao contexto de tensão após ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos no ano passado.
Imagens: VahidOnline via CNN Newsource
As lideranças religiosas, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979, têm adotado uma estratégia dupla: reconhecem como legítimas as manifestações relacionadas a dificuldades econômicas, mas aplicam forte repressão policial contra atos considerados subversivos. O governo também acusa os Estados Unidos e Israel de estimularem a agitação.
Organizações de defesa dos direitos humanos já haviam apontado anteriormente centenas de mortos e milhares de prisões. As restrições de comunicação, incluindo apagões de internet, têm dificultado a circulação de informações independentes e a checagem dos números.
“E, aliás, a todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem as instituições se vocês puderem, e guardem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês. Eles vão pagar um preço muito alto. Uma morte [de manifestante] já é demais”.
Donald Trump, durante um discurso em Detroit.

Nas últimas semanas, vídeos verificados pela Reuters mostraram confrontos violentos, com disparos, incêndios em veículos e prédios e choques diretos entre manifestantes e forças de segurança, evidenciando a escalada de tensão no país.
Irã marca para amanhã (14) primeira execução de manifestante, diz ONG

O manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, preso por participação em protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj, deverá ser executado nesta quarta-feira (14) pelas autoridades iranianas. A informação foi divulgada nesta terça-feira (13) pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw.
Segundo a Fox News, a execução deverá ocorrer por enforcamento, método mais comum aplicado no Irã.
A família de Soltani foi informada de que a sentença de morte é definitiva, relatou a Hengaw.
De acordo com parentes, o jovem foi preso em sua casa na quinta-feira (8). Eles afirmam ainda que Soltani não teve acesso a advogado e que nenhuma audiência judicial foi realizada para analisar o caso.
O chefe do Judiciário iraniano, subordinado ao líder supremo Ali Khamenei, já havia declarado que tribunais especializados foram designados para lidar com casos relacionados aos recentes protestos contra o governo.
Atualizado: 13/01/2026, às 17:12
