Trump pede que iranianos ‘tomem as instituições’ e ameaça retaliar caso país execute manifestantes
Presidente afirmou que nenhum navio pode entrar ou sair sem a aprovação da Marinha americana. (Foto: Molly Riley/Casa Branca – 03.01.2026)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou nesta terça-feira (13) uma dura ofensiva política contra o governo do Irã ao pedir que manifestantes continuem as mobilizações, “tomem as instituições” e ao mesmo tempo ameaçar retaliação caso autoridades iranianas sigam com execuções de protestantes. A declaração acontece em meio a uma das maiores ondas de agitação no país em décadas, com confrontos entre civis e forças de segurança e um número de mortes que já ultrapassa milhares, segundo grupos de direitos humanos.
Em uma publicação no Truth Social, rede social mantida por Trump, o presidente escreveu: “Patriotas iranianos, continuem protestando — ocupem suas instituições!!! Salve os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. “Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare. A ajuda está a caminho”.
Trump também anunciou que suspendeu encontros com representantes de Teerã e afirmou que os responsáveis pelas mortes pagarão um “preço alto”, sem detalhar que tipo de apoio ou ação os EUA pretendem fornecer. O comando americano avaliou e continua examinando opções militares e outras medidas, embora nenhum plano específico tenha sido formalizado.
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Autoridades americanas disseram à imprensa que a advertência inclui a possibilidade de “ações muito fortes”, incluindo possíveis operações militares caso o Irã avance com execuções de manifestantes detidos nas últimas semanas.
Contexto da crise no Irã
Os protestos foram deflagrados no fim de dezembro, inicialmente motivados pela forte deterioração econômica e pelo colapso da moeda, mas rapidamente evoluíram para um movimento mais amplo contra o sistema teocrático que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. Grupos de direitos humanos relatam que o total de mortos em repressões pode ultrapassar 2.400 pessoas, incluindo civis e membros das forças de segurança, com milhares de detidos.
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O governo iraniano, por sua vez, afirma que a responsabilidade pelas mortes é atribuída a “terroristas” e tenta justificar medidas duras sob o argumento de necessidade de manter a ordem. O país também enfrenta um bloqueio geral de internet que dificulta a verificação independente das cifras e dos acontecimentos no terreno.
Reação de Teerã e riscos de escalada
As autoridades iranianas reagiram às declarações de Trump com críticas severas, acusando o presidente dos EUA de tentar desestabilizar o país e incitar a violência. O secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, classificou Trump e outros líderes estrangeiros como “principais responsáveis pelas mortes de iranianos”.
Em contrapartida, um alto funcionário iraniano disse à Reuters que, se Washington agir militarmente, Teerã poderia retaliar contra bases americanas na região, especialmente em países que hospedam tropas dos EUA, numa tentativa de dissuadir a intervenção externa.
A tensão entre os dois países já viu movimentações de retirada parcial de pessoal de algumas bases americanas no Oriente Médio, segundo relatos da imprensa internacional, refletindo a preocupação com uma possível escalada militar.
