Trump diz que “não há volta atrás” e não descarta uso da força para controlar a Groenlândia
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com membros da imprensa, ao lado do secretário do Interior, Doug Burgum, antes de embarcar no Air Force One rumo a Washington, no Aeroporto Internacional de Palm Beach, em West Palm Beach, Flórida, EUA. (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que “não há volta atrás” em seu objetivo de assumir o controle da Groenlândia, recusando-se a descartar o uso da força militar para tomar a ilha ártica, atualmente sob soberania da Dinamarca, país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). As declarações intensificaram a crise diplomática com aliados europeus e ampliaram temores sobre a estabilidade da aliança que sustenta a segurança ocidental há décadas.
A posição de Trump foi reforçada após uma conversa com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Segundo o presidente americano, a Groenlândia é estratégica não apenas para os Estados Unidos, mas para a segurança global. “Como já deixei bem claro para todos, a Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás — nisso, todos concordam!”, afirmou.
A ofensiva política também ganhou contornos simbólicos. Trump publicou imagens geradas por inteligência artificial que o mostram na Groenlândia segurando a bandeira dos EUA e discursando diante de um mapa no qual a ilha aparece, ao lado do Canadá, como parte do território americano. As publicações provocaram reação imediata em capitais europeias, que classificaram o gesto como provocativo e desestabilizador.
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A ambição de Trump ameaça desorganizar profundamente a relação entre os Estados Unidos e a Europa. A Dinamarca rejeitou qualquer possibilidade de negociação sobre a soberania da Groenlândia, enquanto líderes europeus tentam formular uma resposta conjunta que evite tanto um rompimento político quanto uma escalada militar dentro da própria OTAN.
Além do impacto geopolítico, o episódio reacendeu o risco de uma nova guerra comercial entre os EUA e a União Europeia. Trump já havia ameaçado impor tarifas punitivas a países que se opusessem à sua estratégia, incluindo uma taxação de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses. O presidente chegou a divulgar mensagens privadas, entre elas uma do presidente francês Emmanuel Macron, questionando as intenções americanas na Groenlândia.
Apesar da retórica agressiva, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tentou conter os efeitos econômicos da crise durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ele classificou como “histeria” as reações do mercado e disse confiar que Estados Unidos e Europa encontrarão uma solução negociada, minimizando a possibilidade de uma guerra comercial prolongada.
Mesmo assim, analistas avaliam que as declarações de Trump colocam em xeque princípios centrais da ordem internacional do pós-guerra, como o respeito à soberania territorial e a cooperação entre aliados. A Groenlândia, além de seu valor estratégico no Ártico, tornou-se agora um símbolo de um embate mais amplo entre unilateralismo americano e a arquitetura tradicional das alianças ocidentais.
