PF ainda investiga por onde Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após viagem aos EUA
Foto: REUTERS/Eva Marie Uzcategui / Proibido reprodução
A Polícia Federal (PF) ainda investiga por qual ponto de fronteira o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil antes de chegar aos Estados Unidos com a família. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (28) pelo jornalista Matheus Leitão, em coluna publicada no Metrópoles.
De acordo com a reportagem, a cronologia da viagem levantou questionamentos sobre as informações que circularam inicialmente a respeito do deslocamento do parlamentar. Enquanto relatos indicavam que ele já estaria a caminho dos Estados Unidos, dados posteriormente divulgados pelas autoridades argentinas apontaram que Flávio entrou na Argentina às 22h50 de terça-feira (27).
Segundo o governo argentino, o senador passou pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, e seguiu viagem em uma aeronave particular. O plano de voo indicava Guayaquil, no Equador, como destino inicial. O avião partiu posteriormente para os Estados Unidos.
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PF tenta esclarecer a saída do território brasileiro
Embora a Argentina tenha informado a entrada do senador em seu território, a Polícia Federal ainda não teria confirmado por qual ponto ele cruzou a fronteira brasileira. A investigação busca esclarecer como ocorreu o deslocamento diante das medidas judiciais impostas ao parlamentar.
A coluna também aponta que a diferença entre as informações divulgadas inicialmente e a sequência de deslocamentos conhecida posteriormente pode indicar uma tentativa de evitar que as autoridades brasileiras identificassem a rota utilizada.
Outro ponto citado pelo jornalista é a presença de Santiago Caputo, assessor próximo do presidente argentino Javier Milei, no momento da decolagem da aeronave particular. Para a coluna, esse elemento levanta suspeitas sobre um possível envolvimento de integrantes do governo argentino na operação. A presença do assessor, por si só, porém, não comprova participação em uma eventual saída irregular do Brasil.
Viagem ocorreu em meio a investigação judicial
A saída do senador aconteceu em meio a investigações envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. Segundo a coluna, a Polícia Federal apura suspeitas de que a relação entre os dois possa ultrapassar os vínculos de amizade.
A reportagem afirma que Flávio teve acesso de usuário master a uma conta vinculada à Alcazar, holding associada a Tomaz, registrada na Ilha da Madeira, até maio de 2025. Esse acesso é apontado pelos investigadores como um dos elementos que precisam ser esclarecidos.
No âmbito do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou medidas relacionadas ao advogado, incluindo bloqueio de valores, quebra de sigilos e suspensão de empresas. Também foram impostas restrições ao senador, como a proibição de deixar o país e de manter contato com Tomaz, inclusive por intermédio de terceiros, conforme relatado pelo Metrópoles.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades.
Aliados também podem não ter sido informados
A coluna relata ainda que a viagem pode ter ocorrido sem o conhecimento de todos os aliados do senador. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, teria recebido uma mensagem na manhã de terça-feira na qual o parlamentar dizia precisar esfriar a cabeça, sem esclarecer se havia deixado o Brasil.
Segundo Matheus Leitão, não há elementos apresentados na reportagem que permitam afirmar que Marinho conhecia previamente os planos de viagem.
A Polícia Federal continua apurando as circunstâncias da saída do senador. As suspeitas sobre uma possível operação para despistar as autoridades e sobre eventual participação de integrantes do governo argentino permanecem sujeitas à investigação.
