Aliados aconselharam Flávio Bolsonaro a não deixar o Brasil antes de decisão sobre passaportes
Foto: Vittor Sales
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República, foi aconselhado por aliados a permanecer no Brasil diante da possibilidade de enfrentar medidas judiciais. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, o parlamentar afirmou a interlocutores que temia ser preso.
O conselho foi dado na tarde de segunda-feira (26), durante uma reunião com integrantes importantes de sua campanha, realizada no escritório de um de seus advogados, no Lago Sul, em Brasília. De acordo com os relatos obtidos pela emissora, aquele foi o último encontro em que Flávio conversou com a maioria dos participantes.
O senador também demonstrou irritação com a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes. A ordem judicial ocorreu em meio a preocupações sobre uma possível saída do país.
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Aliados defendiam moderação após derrota eleitoral
Segundo a CNN Brasil, integrantes mais moderados do grupo político avaliaram que uma eventual prisão de Flávio logo após a eleição poderia repercutir negativamente para a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior. Por esse motivo, acreditavam que não haveria uma medida imediata contra o senador.
Durante a reunião, os interlocutores também defenderam que Flávio não pedisse a anulação do resultado eleitoral. A orientação era concentrar os esforços em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) por suposto abuso de poder econômico.
Na ocasião, o senador foi orientado a gravar um vídeo relatando que havia sido intimado pela Polícia Federal após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em decorrência da condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.
No vídeo publicado nas redes sociais na tarde de segunda-feira, Flávio afirmou que, ao deixar a residência do pai, foi abordado por agentes da Polícia Federal e intimado a entregar os passaportes. Também declarou estar proibido de deixar o país.
Na mesma gravação, disse que pretendia organizar a oposição ao governo federal e destacou o desempenho eleitoral do grupo político no Congresso Nacional.
PL amplia presença no Congresso e nos estados
Apesar da derrota de Flávio na eleição presidencial, o Partido Liberal saiu fortalecido nas disputas legislativas e estaduais, conforme os números apresentados no relato original.
A legenda elegeu 121 deputados federais e deverá contar com 28 senadores a partir de 2027. Também conquistou o comando de seis estados, resultado que a colocou entre os partidos com maior presença nos governos estaduais.
Flávio, por sua vez, deverá ficar sem mandato a partir de fevereiro de 2027, encerrando um período de 24 anos de atuação em cargos eletivos, segundo as informações divulgadas pela CNN Brasil.
Polícia Federal apura dois casos envolvendo o senador
Além das repercussões políticas, Flávio Bolsonaro enfrenta duas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Os procedimentos apuram suspeitas relacionadas a operações financeiras, financiamento de projetos e despesas de pessoas ligadas à família Bolsonaro.
Uma das apurações envolve o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A investigação busca esclarecer a origem e a destinação de recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e verificar se parte do dinheiro teria sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O segundo inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, que mantém relação de amizade com o senador. Entre os pontos investigados estão operações relacionadas a empresas de apostas, plataformas de pagamento, acesso a uma conta empresarial vinculada ao advogado e custeio de viagens.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que sua relação com Willer Tomaz é de amizade. O advogado também contesta as suspeitas.
As investigações seguem em andamento, e a existência de inquéritos não representa, por si só, comprovação de culpa. A apuração dos fatos e eventual responsabilização dependem dos procedimentos legais.
