Ex-presidente Jair Bolsonaro é preso preventivamente pela Polícia Federal
Bolsonaro cumpria prisão domiciliar em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22), em Brasília, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem foi cumprida pela Polícia Federal (PF) após a corporação apontar risco de fuga e descumprimento de medidas impostas durante a prisão domiciliar, que Bolsonaro vinha cumprindo desde setembro.
Segundo investigadores, a PF reuniu elementos indicando que o ex-presidente teria tentado burlar o monitoramento da tornozeleira eletrônica, além de manter articulações políticas consideradas “capazes de gerar instabilidade”. A convocação de uma vigília realizada por apoiadores em frente ao condomínio onde ele residia, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro na última sexta-feira (21), também pesou na avaliação da Corte sobre a necessidade de uma medida mais rígida.
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Após a detenção, Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde passou por exame de corpo de delito e foi encaminhado para uma sala especial, destinada a autoridades. Ele deverá participar de uma audiência de custódia ainda neste fim de semana, na qual um juiz avaliará a legalidade e a manutenção da prisão.
A prisão preventiva ocorre dois meses após Bolsonaro ter sido condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A Corte entendeu que houve atuação organizada para subverter o resultado eleitoral e estimular ataques às instituições, decisão considerada histórica no julgamento de ex-chefes de Estado no país. No entanto, a prisão decretada hoje não significa início automático da execução da pena, já que se trata de uma medida cautelar.
A defesa do ex-presidente havia solicitado, na sexta-feira (21), a conversão da prisão domiciliar em regime humanitário, argumentando problemas de saúde e necessidade de acompanhamento especializado. O pedido foi negado pelo ministro Moraes, que afirmou, na decisão, que os riscos apresentados no processo superam as alegações médicas apresentadas pelos advogados.
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A prisão reacende a polarização política no país e mobiliza tanto apoiadores quanto críticos do ex-presidente. Enquanto aliados falam em “perseguição política”, setores da oposição afirmam que a medida reforça a autonomia das instituições e o avanço das investigações sobre tentativas de ruptura democrática.
Bolsonaro permanecerá sob custódia da PF enquanto novas diligências são analisadas e até que o STF decida se mantém ou revisa a medida. A defesa anunciou que recorrerá imediatamente da decisão.
