Desemprego no Brasil cai para 5,2% e atinge menor nível da série histórica
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma redução em relação aos 5,4% registrados no trimestre anterior e aos 5,6% observados no mesmo período do ano passado.
O índice ficou dentro da expectativa de economistas consultados pela agência Reuters, que também projetavam uma taxa de 5,2% para o período.
Com o resultado, o país registrou 5,6 milhões de pessoas desocupadas, uma queda de 4% em relação ao trimestre anterior. Já a população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica da pesquisa.
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Construção civil impulsiona ocupação
De acordo com o IBGE, a população ocupada cresceu 0,6% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Entre os setores que contribuíram para o avanço está a construção civil, que registrou aumento de 2,8% no número de trabalhadores.
O rendimento real habitual dos trabalhadores ficou estável em relação ao trimestre anterior, alcançando R$ 3.790. Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, houve crescimento de 3,6%.
O gerente da pesquisa do IBGE, William Kratochwill, destacou que o terceiro trimestre costuma apresentar resultados favoráveis para o mercado de trabalho, principalmente pelo aumento da produção e das contratações para atender à demanda de fim de ano.
Neste ano, entretanto, o ritmo de crescimento das ocupações foi menor. Segundo Kratochwill, uma das possibilidades é que empresas e investidores tenham adiado decisões diante da expectativa pelo resultado das eleições.
“O que pode ter acontecido é que muitos tomadores de decisões podem ter postergado suas decisões de investimentos e contratados à espera do resultado das eleições”, afirmou.
O pesquisador também ponderou que será necessário acompanhar os próximos resultados para avaliar se o mercado de trabalho está próximo de um limite de expansão e se o ritmo de contratações poderá diminuir.
Mercado de trabalho entra no radar do Banco Central
O desempenho do emprego também é acompanhado pelo Banco Central, que se prepara para uma nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
A autoridade monetária tem destacado o aquecimento do mercado de trabalho, mesmo diante de sinais de moderação gradual da atividade econômica. Ao mesmo tempo, o Banco Central observa a desaceleração dos rendimentos médios e seus possíveis efeitos sobre os preços.
O comportamento do emprego e da renda é importante para a política monetária porque influencia o consumo das famílias e a dinâmica da inflação.
Naquele cenário, a taxa básica de juros, a Selic, estava em 13,75% ao ano, após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, conforme os dados apresentados no levantamento.
Expectativas para a taxa Selic
Antes do segundo turno das eleições presidenciais, a pesquisa Focus do Banco Central indicava expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião seguinte do Copom.
Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, o mercado de juros futuros passou a sinalizar maior possibilidade de manutenção da Selic no encontro seguinte.
A decisão do Banco Central dependeria da avaliação do cenário econômico, incluindo inflação, atividade econômica, mercado de trabalho e expectativas dos agentes financeiros.
