UFC demite dois servidores envolvidos em casos de assédio sexual
Um servidor afastado era docente, enquanto o outro era técnico-administrativo (TAE). (Foto: Ribamar Neto/UFC)
Universidade Federal do Ceará demitiu dois servidores envolvidos em casos de assédio sexual dentro da instituição. A decisão, considerada inédita, é a primeira vez que a universidade aplica a penalidade máxima, demissão a servidores públicos por esse tipo de conduta.
Os casos envolveram um técnico-administrativo e uma professora, cujas práticas foram denunciadas, investigadas e comprovadas por meio de processos administrativos disciplinares.
A medida representa uma mudança significativa na postura institucional. Até então, as punições mais severas previstas para situações semelhantes eram suspensões de até três meses.
>> Participe do canal do MÍDIA no WhatsApp
Denúncias envolveram perseguição, constrangimento e condutas de teor sexual
No caso do técnico-administrativo, a denúncia partiu de uma estudante e apontou uma série de comportamentos inadequados ao longo de 2024, como insistência em convites, envio de presentes, conversas de cunho sexual e até perseguição em redes sociais.
Diante da gravidade, o servidor foi afastado preventivamente e, após investigação conduzida pela Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar, teve a demissão recomendada e confirmada pela reitoria. O processo durou cerca de um ano.
Já no caso da docente, a apuração reuniu ao menos dez denúncias de estudantes e professores. As acusações incluem exposição de alunos a situações constrangedoras, falas agressivas e até simulação de atos de teor sexual em sala de aula.
A investigação começou em 2024 e foi concluída em 2026, totalizando cerca de dois anos. Cinco vítimas diretas foram ouvidas, mas o número total de pessoas afetadas pode ser maior.
Medida reforça política de combate ao assédio e amplia rigor nas punições
As decisões foram baseadas em normas recentes adotadas pela própria UFC para enfrentamento ao assédio, como o Guia Lilás e orientações da Corregedoria-Geral da União.
Além das punições, a universidade destacou ações de acolhimento às vítimas, incluindo suporte psicológico e acompanhamento institucional durante todo o processo.
A demissão dos servidores ocorre poucos meses após a expulsão de estudantes envolvidos em casos semelhantes no campus de Quixadá, em 2025, reforçando uma política de tolerância zero adotada pela instituição.
Atualmente, a UFC ainda mantém outros processos em andamento relacionados a condutas de assédio, indicando que o tema segue sob atenção e com maior rigor nas apurações.
