Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, do grupo Master
Fachada do prédio do Banco Central em Brasília • 18/12/2024 REUTERS/Adriano Machado
Banco Central do Brasil (BC) anunciou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., instituição financeira conhecida no mercado como Will Bank, que operava como banco digital. A medida foi publicada em ato oficial assinado pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.
A decisão decorre da constatação de que a situação econômico-financeira da instituição está comprometida, configurando insolvência e risco sistêmico. O BC também citou o vínculo societário e de controle entre o Will Bank e o Banco Master, grupo que já havia sido objeto de liquidação extrajudicial em novembro de 2025, após graves irregularidades e investigações policiais.
O Will Bank vinha operando sob o chamado Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde a liquidação do Master, medida em que o Banco Central substitui a administração da instituição com a intenção de preservar atividades e buscar possíveis compradores. No entanto, as negociações para venda não avançaram, e a deterioração financeira acabou por levar à liquidação definitiva.
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Contexto e ramificações da crise
O Banco Master foi liquidado pelo BC em meados de novembro de 2025, em meio a uma investigação polici al sobre fraudes que envolviam emissão de títulos sem lastro e práticas contábeis irregularidades, além da prisão do controlador Daniel Vorcaro em operação da Polícia Federal.

O Will Bank, criado em 2017 e adquirido pelo Master em 2024, chegou a ter grandes volumes de depósitos a prazo — estimados em cerca de R$ 6,5 bilhões no fim de 2025 — e milhões de clientes, com atendimento digital que incluía contas, movimentações e cartões. Porém, a instituição enfrentou problemas operacionais e de liquidez, como a suspensão dos pagamentos da Mastercard em transações com cartões emitidos pelo banco, o que agravou sua situação.
O que significa a liquidação
Com a liquidação extrajudicial:
- as operações são interrompidas e a instituição é retirada do Sistema Financeiro Nacional;
- o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume a responsabilidade pelo reembolso de depósitos de clientes, dentro dos limites legais (até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ), incluindo contas e CDBs cobertos;
- os bens dos controladores e ex-administradores tornam-se indisponíveis para assegurar o processo de liquidação;
- clientes com valores acima do limite de cobertura do FGC poderão ter perdas ou remanejamentos no processo de liquidação.
O FGC já vinha realizando o maior resgate da sua história em função da liquidação do Master, com estimativas de desembolso de cerca de R$ 40,6 bilhões para mais de 800 mil investidores afetados. A liquidação do Will Bank pode adicionar até cerca de R$ 6,5 bilhões nessa conta, dependendo dos valores finais a serem cobertos e pagos pelo fundo.
Impacto para clientes e mercado
Clientes do Will Bank estão sendo orientados a procurar o FGC e aguardar os procedimentos de ressarcimento. Contas, investimentos e produtos financeiros que se enquadram nas regras de cobertura serão devolvidos até os limites definidos. A liquidação também levanta preocupações sobre confiança em bancos digitais e potencial sobrecarga sobre o fundo de garantia, que agora registra um ativismo sem precedentes.
Sequência da crise Master
A liquidação do Will Bank amplia os efeitos da crise que começou com o Banco Master e se estendeu a outras entidades ligadas ao grupo, com investigações em curso pela Polícia Federal e outras medidas regulatórias envolvendo possíveis irregularidades contábeis e práticas de crédito. Ainda não há estimativas completas sobre o tempo necessário para a conclusão de todos os processos judiciais e de ressarcimento.
